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Panorama GlobalInternacional
⚠️ Irã não comparece a Doha — petróleo cai e marca o pior trimestre desde 2020: o Irã sinalizou que não comparecerá ao encontro com delegados americanos no Catar, ampliando a incerteza sobre o processo de paz. Apesar disso, os enviados americanos estão em Doha para reunião com os mediadores. O petróleo cai mais de 1,6%, com o Brent a US$ 71,74 — encerrando junho com tombo de 21%, a maior queda mensal desde março de 2020. O mercado precifica o fim do prêmio de risco da guerra: Ormuz reaberto, bloqueio naval removido, exportações iranianas retomadas.
S&P 500−0,32%Futuro
Nasdaq−0,57%Futuro (ontem +1,52%)
Nikkei+0,59%Japão
Kospi−2,04%Coreia do Sul
Brent−1,66%US$ 71,74 — −21% em jun
WTI−1,67%US$ 68,34/bbl
Ouro−1,22%US$ 3.989/oz — abaixo de US$ 4k
Treasury 10a4,472%↑ — cautela no 2S
- Irã exportou 40 mi de barris em duas semanas desde a remoção do bloqueio naval, vendendo com prêmio de 20%, segundo o negociador-chefe Ghalibaf. Irã e Catar negociam liberação de US$ 6 bi em ativos iranianos congelados (de US$ 12 bi totais)
- Iene na mínima em 40 anos (162,68 por dólar) — mercado em alerta para intervenção japonesa. Reembolsos de tarifas americanas devem turbinar lucros de empresas japonesas em até US$ 3 bi (Nomura), após a Suprema Corte derrubar as taxas de 15% sobre o Japão
- PMIs industriais de junho: China desacelera (51,7); Europa mista — Alemanha sobe a 50,3, França a 51,2, mas Zona do Euro cai a mínima de 4 meses (51,4); Reino Unido recua a 52,5
Ibovespa 1S+6,8%Desempenho no semestre
Dólar−0,23%R$ 5,1628
Caged mai72.960Abaixo de 120 mil esperados
Defasagem gas.−36%Abicom · 30/06 — piora técnica
⛽ Governo começa a retirar o subsídio dos combustíveis — Petrobras já reduziu o diesel: com o petróleo normalizado, o governo iniciou o encerramento do programa de subvenção. A Petrobras reduziu o preço do diesel em R$ 0,35 por litro às distribuidoras, mantendo o preço final após o fim do subsídio — o mecanismo de transição evita repasse imediato aos postos. É a confirmação de que o choque de energia da guerra está estruturalmente encerrado.
📊 Caged de maio surpreende negativamente — mercado amplia aposta de corte em agosto: foram criados apenas 72.960 empregos formais, bem abaixo dos 120 mil esperados — segundo mês consecutivo de frustração. O FGV-Ibre atribui o resultado à política monetária restritiva. A surpresa negativa abriu espaço: analistas passaram a ampliar as apostas em corte da Selic em agosto.
- Plano Safra 2026/27: R$ 85,2 bilhões em financiamentos para a agricultura familiar — 9% acima da temporada anterior, com R$ 40,8 bi no Pronaf
- Aneel aprova bônus de Itaipu de R$ 872 mi para reduzir a conta de luz em agosto (valor maior do que o sinalizado anteriormente). Ao mesmo tempo, aprova alta de 10,18% na conta da Enel SP para 8,9 milhões de imóveis
- Prazo para o governo contestar o tarifaço de Trump termina hoje — posição do Itamaraty, que atribuiu as tarifas a "traidores da pátria", será formalizada
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Empresas em DestaqueCorporativo
- Petrobras (PETR3/4): anunciou mecanismo para mitigar efeitos de preços externos sobre clientes de gás natural — uma banda de valores do Brent (piso e teto) passa a integrar o cálculo do preço, com adesão via aditivo contratual. Movimento alinhado à normalização do petróleo pós-guerra.
- Trisul (TRIS3): conselho aprovou cancelamento de 9,1 milhões de ações ordinárias e criação de programa de recompra de até 8,9 milhões de papéis (9,89% das ações em circulação), com validade de 18 meses.
- Oncoclínicas (ONCO3): a Superintendência da CVM negou pedido de OPA pleiteado por minoritários que alegam participação da Centaurus acima de 15% — a decisão cabe recurso e mantém a disputa aberta em uma empresa avaliada em R$ 6 bilhões.
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Análise do DiaResearch BTG Pactual
O primeiro pregão do segundo semestre chega marcado por uma virada de narrativa: o petróleo que caiu 21% em junho — pior mês desde março de 2020 — não é mais o tema central dos mercados. O choque de energia está encerrado; a Petrobras já reduziu o diesel e o governo encerra o subsídio. Segundo o research do BTG Pactual, o Brasil entra no 2S26 com uma equação mais equilibrada do que parecia possível em março, quando o Brent tocou US$ 123: a inflação importada recuou, o ciclo de cortes da Selic está em curso e o Ibovespa encerrou o primeiro semestre com alta de 6,8%. O Caged de maio — 72.960 empregos contra 120 mil esperados — adiciona um ingrediente novo e relevante: o mercado de trabalho, que vinha sustentando a postura cautelosa do BC, começa a dar sinais de moderação. O BTG aponta que essa combinação (desinflação dos combustíveis + emprego moderando) pode ser o gatilho para que o Copom de agosto sinalize continuidade dos cortes. Mas dois riscos estruturais permanecem em aberto: o fiscal doméstico, com a iminente votação da PEC de R$ 30 bi no Senado e a liberação de penduricalhos pelo STF; e o ambiente externo, com o Fed possivelmente subindo juros e o dólar global em valorização. O segundo semestre começa com um cenário mais favorável do que o esperado — mas mais complexo do que o rali de junho sugeria.
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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
Petróleo jun
−21%
Pior mês desde mar/2020 — choque encerrado
Diesel nas refinarias
−R$ 0,35/L
Petrobras — redução pós-fim de subsídio
Bônus Itaipu ago.
R$ 872 mi
Aneel aprova — alívio na conta de luz
Enel SP
+10,18%
8,9 mi de imóveis — aprovado pela Aneel
- Petróleo cai 21% em junho — choque de energia encerrado: é a maior queda mensal desde o início da pandemia. O WTI está abaixo de US$ 69 e o Brent em US$ 71,74 — patamar que viabilizou o encerramento do subsídio ao diesel sem repasse aos postos. A Petrobras reduziu o diesel em R$ 0,35 por litro na refinaria
- Governo encerra o subsídio dos combustíveis: com o petróleo estabilizado abaixo de US$ 80, o programa de subvenção está sendo retirado de forma gradual. O mecanismo de transição da Petrobras (redução na refinaria + manutenção do preço nos postos) suaviza o impacto inflacionário direto
- Defasagens pioran tecnicamente para −36% (gasolina) e −34% (diesel) na leitura de 30/06, com o petróleo ainda ajustando. A tendência estrutural segue de convergência — com o Brent abaixo de US$ 72, o patamar de equilíbrio está próximo
- Conta de luz: alívio em agosto, pressão no curto prazo: o bônus de Itaipu de R$ 872 mi trará alívio a partir de agosto. Mas a Aneel aprovou reajuste de 10,18% na Enel SP para 8,9 milhões de imóveis — energia elétrica segue como o componente de preços administrados mais pressionado
- Fertilizantes voltam ao nível pré-guerra: preços de ureia, MAP e potássio normalizam, favorecendo agricultores que começam a recompor estoques. Aliado à safra recorde de milho e à supersafra de soja, o setor agrícola entra no 2S26 com custos mais controlados — vetor desinflacionário relevante para alimentos nos próximos trimestres
📌 Leitura do Radar: o petróleo caindo 21% em junho é o dado que encerra o capítulo do choque de energia. A Petrobras já reduziu o diesel e o subsídio está sendo retirado — o efeito desinflacionário chegará ao consumidor de forma gradual nas próximas semanas. A piora técnica das defasagens (−36%/−34%) é ruído de curto prazo, não reversão de tendência. O protagonismo do risco inflacionário passa definitivamente para a energia elétrica (Enel SP +10,18%, El Niño até 2027) e para o fiscal doméstico.
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Clipping de NotíciasSeleção do Dia
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.
01
Petrobras / CombustíveisInflação — Normalização
Governo encerra subsídio dos combustíveis — Petrobras reduz diesel em R$ 0,35 e mantém preço nos postos
Com o petróleo estabilizado, o governo iniciou a retirada gradual do programa de subvenção. A Petrobras reduziu o diesel em R$ 0,35 por litro às distribuidoras, mantendo o preço final nos postos via mecanismo de transição. O petróleo caiu 21% em junho — a maior queda mensal desde março de 2020 — precificando o fim do prêmio de risco da guerra.
Contexto: O encerramento do subsídio é a confirmação definitiva de que o choque de energia da guerra está superado. A redução na refinaria sem repasse aos postos é o caminho correto — evita inflação adicional enquanto o mercado se ajusta. Para o investidor, consolida a desinflação importada que o IPCA-15 já havia sinalizado.
02
Caged / EmpregoPolítica Monetária Brasil
Caged de maio frustra com 72.960 vagas — bem abaixo de 120 mil esperados; mercado amplia apostas de corte em agosto
O Caged de maio gerou apenas 72.960 empregos formais, abaixo da mediana de 120 mil projetada — segundo mês consecutivo de frustração. O FGV-Ibre atribui o resultado à política monetária restritiva. A surpresa negativa ampliou as apostas de corte da Selic em agosto no mercado.
Contexto: O emprego moderando é o dado que faltava para o BC ter mais conforto em continuar cortando. Combinado com o IPCA-15 abaixo do esperado e a desinflação dos combustíveis, cria-se a tríade que sustenta a continuidade do ciclo. O Copom de agosto será o teste — e o mercado já começa a precificar esse corte.
03
Senado / FiscalRisco Fiscal Brasil
Alcolumbre indica votação de PEC de R$ 30 bi antes do recesso; STF libera pagamento de penduricalhos
Alcolumbre indicou que a PEC com impacto de R$ 30 bilhões será votada antes do recesso parlamentar, colocando o governo em alerta. Paralelamente, o STF liberou o pagamento de parte dos penduricalhos a juízes e membros do MP. As duas decisões pressionam as contas públicas no início do 2S26.
Contexto: O fiscal é o principal risco do 2S26 para os ativos brasileiros. PEC de R$ 30 bi mais penduricalhos do STF caminham na direção oposta à da responsabilidade fiscal — e o cenário externo de juros americanos mais altos aumenta o custo de qualquer desvio. É o tema que mais preocupa o BC e os gestores institucionais neste momento.
04
Aneel / EnergiaInflação — Energia Elétrica
Aneel aprova bônus de Itaipu de R$ 872 mi para agosto e alta de 10,18% na Enel SP para 8,9 mi de imóveis
A Aneel aprovou dois movimentos opostos: o bônus de Itaipu de R$ 872 milhões, que reduzirá a conta de luz em agosto; e a alta de 10,18% na conta da Enel SP, que afetará 8,9 milhões de imóveis. O bônus de Itaipu foi maior do que o sinalizado anteriormente (R$ 767 mi).
Contexto: A energia elétrica substitui o petróleo como o componente de preços administrados mais pressionado. O reajuste da Enel SP é expressivo e confirma que os consumidores paulistas sentirão o impacto antes do alívio de agosto. Para o IPCA, é um vetor de pressão que o BC monitora de perto — e que o El Niño ameaça ampliar em 2027.
05
Michelle Bolsonaro / PL / EleiçõesPolítica Brasil
Michelle Bolsonaro anuncia saída do PL Mulher após crise com Flávio — definição sobre o futuro na campanha vai a Valdemar
Michelle Bolsonaro anunciou sua saída do PL Mulher após a crise com Flávio Bolsonaro, sem indicar sucessora. A definição sobre seu futuro na campanha deve ficar nas mãos de Valdemar Costa Neto. O impasse pressionou a chapa em ano eleitoral decisivo.
Contexto: A crise Michelle-Flávio é o maior ruído interno da direita neste momento. "Se perdermos a Michelle, a eleição vai ficar muito difícil", disse Valdemar — o que mede o peso dela no eleitorado feminino e evangélico. Para os mercados, o campo político-eleitoral começa a entrar no radar de precificação de ativos brasileiros no 2S26.