Morning Calls  / 02.07.2026
02.07.2026 · QUI Macro

Morning Call — 2 de Julho

Morning CallQuinta-feira, 2 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual
Morning Call
Análise diária de mercado
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Panorama GlobalInternacional
📋 Doha avança — petróleo cai com progressos nas negociações indiretas EUA-Irã: mediadores do Catar e do Paquistão concluíram reuniões separadas com negociadores americanos e iranianos, com progressos em pontos do memorando de entendimento, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar. A notícia derrubou o petróleo — Brent opera a US$ 70,61 e WTI a US$ 67,63. O mercado aguarda o payroll de junho como dado decisivo para a trajetória do Fed.
S&P 500−0,10%Futuro
Nasdaq−0,42%Futuro — correção de IA
Kospi−7,89%Samsung + SK Hynix despencam
FTSE+0,43%Reino Unido
Brent−1,34%US$ 70,61/bbl
WTI−1,39%US$ 67,63/bbl
Treasury 10a4,498%↑ — reprecificação hawkish
DXY−0,37%101,01 — leve alívio
⚔️ Rússia lança maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde 2022: centenas de drones miraram principalmente Kiev na noite de quarta para quinta; a Polônia mobilizou caças para monitorar drones que se aproximaram de seu espaço aéreo. A escalada reacende a preocupação com a segurança europeia e adiciona pressão geopolítica num momento em que o mercado já lidava com a fragilidade do acordo EUA-Irã.
  • Warsh (Fed): afirmou que os riscos de inflação diminuíram e prometeu "decepcionar" quem acha que tolerará inflação acima de 2% nos EUA — tom hawkish, mas com abertura para cortes se os dados permitirem. Disse também que "orientações futuras não são adequadas para o momento atual"
  • Desemprego da zona do euro em 6,2% em maio, empatando com a mínima histórica da série (abril revisado de 6,3% para 6,2%) — resiliência do mercado de trabalho europeu apesar do conflito no Oriente Médio
  • Multa do Google mantida: a Justiça da UE confirmou a multa de € 4,1 bi (~US$ 4,67 bi) aplicada ao Google em 2018 por práticas anticompetitivas ligadas ao Android
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BrasilMercado Doméstico
Ibovespa−0,20%171.689 pts
Dólar+0,90%R$ 5,2094 — volta ao R$ 5,20
Defasagem gas.−33%Abicom · 01/07 — melhora
Defasagem diesel−33%Abicom · 01/07 — melhora
🇺🇸 Sanções dos EUA ao PCC pressionam ativos brasileiros — dólar volta a R$ 5,20: as sanções americanas ligadas ao PCC voltaram a pressionar o câmbio e a bolsa. O Ministério da Fazenda criticou publicamente as sanções. O dólar futuro para agosto avançava 0,93%, a R$ 5,2490. A medida coincide com o prazo final para o Brasil contestar formalmente o tarifaço americano.
Querosene de aviação cai 14,5% — gasolina perde subsídio na próxima semana: a Petrobras reduziu em 14,5% o preço do querosene de aviação (QAV) a partir de julho — alívio relevante para as passagens aéreas, que subiram 11% recentemente. O governo retirará o subsídio da gasolina na próxima semana, segundo Durigan. O presidente da Petrobras, porém, disse ser "cedo para falar em redução de preço da gasolina" nos postos.
  • BC iguala exigências de plataformas cripto às de corretoras: nova norma (vigente a partir de jan/2027) aplica as mesmas regras de capital, governança e supervisão. A medida não foi bem recebida pelo setor
  • Inadimplência bancária bate recorde em maio, segundo o BC — sinal de estresse financeiro das famílias num ambiente de juros elevados e crédito caro
  • El Niño deve elevar projeção de inflação do governo, diz secretária da Fazenda — o fenômeno confirma-se como o principal vetor de pressão para o IPCA no 2S26
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Empresas em DestaqueCorporativo
  • Grupo Dolly: é alvo de pedido de falência protocolado pelas procuradorias da Fazenda Nacional e de São Paulo em iniciativa inédita conjunta — dívidas somam R$ 15,75 bilhões (União, governo paulista e FGTS), atribuídas a estratégia de "blindagem patrimonial".
  • Itaúsa (ITSA4): recebeu R$ 900 milhões em dividendos e JCP "extraordinários" da Itautec, subsidiária integral não operacional, com impacto positivo líquido já no resultado do 2T26.
  • Simpar (SIMH3): concluiu a venda de sua fatia de 45% na Ciclus Amazônia para a Alvor Participações (subsidiária da Sustentare Saneamento) — operação anunciada em abril; valor total de R$ 276,6 milhões, com R$ 124,5 milhões cabendo à Simpar, pagos de forma parcelada.
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Análise do DiaResearch BTG Pactual
Contexto de Mercado Baseado no Research BTG Pactual

O payroll de amanhã será o dado mais relevante da semana para os mercados globais — e provavelmente para a trajetória da Selic também. Segundo o research do BTG Pactual, a dinâmica atual é de dois movimentos simultâneos que puxam em direções opostas para o Brasil: de um lado, o petróleo seguindo em queda (WTI abaixo de US$ 68, Brent em US$ 70), com Doha avançando e o prêmio de risco da guerra praticamente zerado — o que abre espaço para desinflação dos combustíveis e continuidade dos cortes da Selic. De outro, o dólar voltando a R$ 5,20 puxado pelas sanções americanas ao PCC e pela reprecificação mais hawkish das treasuries, o que limita a apreciação do real e mantém a pressão cambial sobre a inflação importada. O dado do Kospi caindo quase 8% hoje, pela correção em semicondutores ligados à IA, reforça a volatilidade da tese de tecnologia — o mesmo movimento que havia beneficiado o Brasil pela rotação de capital nas últimas semanas. O BTG chama atenção para um detalhe relevante: Warsh sinalizou que os riscos de inflação "diminuíram" nos EUA, ao mesmo tempo em que prometeu não tolerar inflação acima de 2%. É uma abertura sutil para cortes futuros sem comprometimento explícito — leitura que o mercado ainda está digerindo. Para o Brasil, um payroll mais fraco amanhã seria o gatilho perfeito: aliviaria o dólar, reduziria a pressão sobre as treasuries e consolidaria a tese de continuidade da Selic em queda.

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Radar de Inflação Monitoramento de Preços
Defasagem Gasolina −33% Abicom · 01/07 — melhora vs. −36%
Defasagem Diesel −33% Abicom · 01/07 — melhora vs. −34%
QAV (Querosene) −14,5% Petrobras — redução a partir de julho
Inadimplência bancária Recorde Maio — BC confirma novo pico
  • Defasagens voltam a melhorar: gasolina e diesel em −33% (01/07), recuperando da piora técnica de 30/06 (−36%/−34%). Com o Brent abaixo de US$ 71 e o WTI em US$ 67, a trajetória de convergência para o equilíbrio se acelera. O subsídio da gasolina será retirado na próxima semana — movimento que a Petrobras prepara com a contenção de preços nas refinarias
  • QAV cai 14,5% em julho: a redução do querosene de aviação pela Petrobras é um alívio direto e imediato para o setor aéreo, que havia repassado o custo ao consumidor (passagens +11%). A queda deve se traduzir em passagens mais baratas nas próximas semanas — vetor desinflacionário relevante no IPCA de serviços
  • El Niño deve elevar projeção de inflação do governo: a secretária da Fazenda confirmou a revisão para cima da projeção oficial de IPCA em razão do El Niño. É o sinal mais claro até agora de que o governo reconhece o fenômeno como o principal risco inflacionário do 2S26 — antecipando o que o Copom já vinha sinalizando
  • Etanol acumula queda de quase 9% em dois meses e já é mais competitivo em 10 estados — vetor desinflacionário direto nos combustíveis e positivo para a balança do agronegócio
  • Inadimplência bancária bate recorde em maio: num ambiente de juros elevados e crédito caro, as famílias chegam ao 2S26 com estresse financeiro crescente — fator que limita o consumo e deve ser monitorado pelo BC como indicador de desaceleração da atividade
📌 Leitura do Radar: as defasagens voltaram a melhorar (−33%/−33%) após a piora técnica de terça. O QAV caindo 14,5% é o sinal mais concreto de que o alívio do petróleo está chegando aos serviços. Mas o El Niño assumindo como risco oficial — com a Fazenda revisando a projeção de IPCA para cima — confirma que a batalha inflacionária do 2S26 mudou de frente: saiu do petróleo, entrou no clima e na energia elétrica.
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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Sanções / PCCRelações Bilaterais
Sanções dos EUA ao PCC voltam a pressionar ativos brasileiros — Fazenda critica e dólar retorna a R$ 5,20
As sanções americanas ligadas ao PCC voltaram a pressionar o câmbio e a bolsa. O Ibovespa caiu 0,20% e o dólar voltou a R$ 5,2094. O ministro da Fazenda criticou publicamente a medida. O prazo para o Brasil contestar formalmente o tarifaço americano expirou hoje — o Itamaraty classificou as tarifas como "remédio inapropriado".
Contexto: A tensão bilateral com os EUA acumula frentes — tarifaço, sanções ao PCC, disputa sobre o Pix. Para o mercado, cada novo episódio adiciona um prêmio de risco ao câmbio e aos ativos brasileiros, mesmo quando não há impacto econômico imediato. A postura mais agressiva do Itamaraty pode complicar as negociações em curso sobre as tarifas de 25%.
02
Petrobras / QAV / CombustíveisInflação — Desinflação
Petrobras reduz querosene de aviação em 14,5% — subsídio da gasolina sai na próxima semana
A Petrobras reduziu em 14,5% o preço do querosene de aviação a partir de julho — alívio para o setor aéreo, que repassou a alta ao consumidor (passagens +11%). O governo retirará o subsídio da gasolina na próxima semana, segundo Durigan. O presidente da Petrobras disse ser "cedo para falar em redução de preço da gasolina" nos postos.
Contexto: A queda do QAV é o primeiro impacto concreto da normalização do petróleo nos serviços — deve reduzir passagens aéreas nas próximas semanas. A retirada do subsídio da gasolina fecha o ciclo da guerra nos combustíveis. A cautela do presidente da Petrobras sobre o preço da gasolina nos postos sugere que a transmissão será gradual.
03
Fed / Warsh / PayrollPolítica Monetária Global
Warsh diz que riscos de inflação diminuíram e promete "decepcionar" quem espera tolerância com inflação — payroll amanhã
Warsh afirmou que os riscos de inflação diminuíram nos EUA e prometeu "decepcionar" quem espera que o Fed tolere inflação acima de 2%. Disse também que "orientações futuras não são adequadas para o momento atual". O payroll de junho, amanhã, será o dado decisivo para a trajetória de juros. As treasuries de 10 anos subiram para 4,498%.
Contexto: Warsh sinalizou uma abertura sutil para cortes futuros — reconheceu que os riscos diminuíram — sem comprometimento explícito. Para o Brasil, um payroll mais fraco amanhã seria o gatilho ideal: aliviaria o dólar, reduziria a pressão sobre as treasuries e reforçaria a tese de Selic em queda. Um payroll forte faria o caminho oposto.
04
Kospi / Semicondutores / IAMercados — Volatilidade
Kospi despenca 7,89% com Samsung e SK Hynix em forte queda — correção de IA continua pressionar Ásia
O Kospi caiu 7,89%, pressionado pela forte queda de Samsung Electronics e SK Hynix. É a segunda grande queda semanal dos semicondutores sul-coreanos — a correção pós-trimestre de fortes altas em IA volta a sacudir os mercados asiáticos. O Nikkei recuou 2,47% e o Shanghai cedeu 2,03%.
Contexto: A volatilidade dos semicondutores ligados à IA continua sendo o principal fator de instabilidade nos mercados asiáticos — e, por contágio, o principal risco para a tese de rotação que havia beneficiado o Brasil. Enquanto essa volatilidade persistir, o fluxo de capital entre emergentes e tecnologia americana seguirá errático.
05
BC / Cripto / InadimplênciaSistema Financeiro
BC iguala exigências de plataformas cripto às de corretoras e inadimplência bancária bate recorde em maio
O Banco Central editou norma igualando as exigências para plataformas de criptoativos às de corretoras e distribuidoras de valores mobiliários, com vigência a partir de janeiro de 2027 — medida mal recebida pelo setor. Paralelamente, a inadimplência bancária bateu recorde em maio, com as famílias sob crescente estresse financeiro.
Contexto: A inadimplência recorde em maio é um sinal de alerta sobre a saúde financeira das famílias brasileiras — e um dado que o BC deve pesar na calibração do próximo corte. Famílias inadimplentes consomem menos, o que pode aliviar a inflação de serviços. A regulação cripto, embora necessária, deve reduzir a competitividade do setor no curto prazo.
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